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FLAP 2008 - Viva la Conexión
FLAP! 2.0 08 Zona Franca - Viva La Conexión!
www.flap2008.worpress.com
De 1º a 8 de agosto | São Paulo, gratuito
Zona Franca nos remete à idéia da troca comercial entre nações e delimita um território onde há o estímulo à circulação do capital financeiro. A proposta da FLAP! 2008 é adulterar esse conceito, transplantando-o para contexto cultural. A exemplo do Festival Tordesilhas, que em 2007 propôs um amplo debate de autores ibero-americanos, a FLAP! alarga suas fronteiras, convidando para sua quarta edição mais de 20 escritores latino-americanos.
O programa traz uma semana inteira de eventos, com trocas de experiências entre diferentes gerações, saberes e lugares. Da zona leste a oeste, passando pelo sul e sem abandonar o centro, a FLAP! acontecerá em centros culturais diversos, estimulando o contato entre autores, produtores culturais, acadêmicos, estudantes e interessados em geral. Como essencial ao espírito do evento, permanecem a informalidade, os debates apaixonados e a ampla participação do público.
O portuñol será idioma oficial do evento, que por oito dias agregará uma comunidade cujo principal traço é o interesse pela literatura contemporânea e a sua relação com as outras artes. No melhor espírito 2.0 08 e com tecnologias simples, nada além de um blogue e uma webcam, os organizadores transmitem, ao vivo e com chat, discussões sobre o evento e leitura de poemas (via www.ustream.tv). Outra inovação é evidenciar a rede de blogues amigos, o uso do twitter e contar detalhes de "como se organiza o evento" nas postagens. Os convidados latinos também poderão escrever diretamente no blogue oficial do evento. Y viva la conexión!
Blogue: www.flap2008.wordpress.com
Programa: http://flap2008.wordpress.com/programacao-sp
Contato: contato.vacamarela@gmail.com
Escrito por MIM às 14h56
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O sopro...
Um sopro passou por aqui, morno, molhado e verde... Agora madame sussurra ao ouvido de Morgana.
Venha conhecer:
http://www.soprodamorgana.blogspot.com
Novas bruxarias...
Escrito por MIM às 17h20
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POLOS
Pouco importa a chuva que destaca círculos em nossas roupas, se raios de sol vitalizam escaninhos de nossos corações, pouco importa, não há porões, a obscuridade em nossa retina foge aos olhos de lobo que cintilam em árduo desejo objetivo, de fogo destinado a descorticar nossos medos,
E o quanto eu fugi deste dia, abscôndita em fantasias, criando mundos paralelos, em planetas distantes frios, fios pra me segurar, pedaços de armaduras, filtro solar, e foi assim em tarde distraída, afrouxei minha guarida, invadida de sua incontinente alegria, não forçou a porta, não derrubou trincheiras, somente surgiu, se materializou, e pouco importa o que havia fazendo, tudo está fora de lugar e só cabe um sentimento, um desejo de sofrer sem fim...Mas pouco me importa... Não há mais porta e agora você já pode entrar...
Escrito por MIM às 12h32
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TROMBOEMBOLIA
Um pequeno ponto de si desprendeu-se em alucinada carreira por entre seus interiores; pouco se sabia de seu paradeiro, viajou sob estreito caminho tortuoso, borbulhou seus líquidos, escapou às paredes e estancou o fluxo perto do coração, não porque faltasse-lhe emoção, seu excesso é que lhe roubou o ar, lhe roubou pedaços vitais, emoções em demasia, sentimentos colados em opressiva friagem deste mundo vil...
Hoje exercita seus ares, desentope caminhos e rareia sua lava quente e densa, sob doses diárias e únicas de pequenos comprimidos de realidade...
Também passou a apreciar pássaros, contar cometas, apreciar o instante dentro do instante, aquele que passa mais lento e que é mais intenso, presta mais atenção na luz do dia e na paz da noite e faz longas, longas caminhadas por um bairro, até hoje, estranho a si...
Escrito por MIM às 14h34
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A Galeria
O Grito - Munch 1863-1944
" ... Meu olho passa por tinta face, tinta à óleo de risco fácil, gritaria de cores nos corredores, estampado em pano, esticado sentimento impresso, expressionismo de meus sentidos que embaçam os óleos e meus olhos escorrem e passam para outro sentido..."
Para o professor Tom Netto - História da Arte
Escrito por MIM às 12h33
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Cabelos
Primeiro foram seus cabelos que procuraram o fundo, buscando raízes de mato, entrelaçando a folhagem, enraigando cada vez mais, abaixo da tenra terra molhada... Depois suas carnes. Escorrendo a maquiagem, escorregadia membrana acercando seu nariz ao seu ouvido, ouvindo micros-tumultos em ecos borbulhantes de dentro pra fora, escarificando o rosto, pelos buracos, que se abrem, em trincadas células, ressecadas rugas, misturados tecidos, roupas e peles, escarnando a estetizante máscara da dor. A chuva, o sol e a garoa fincam marcas na garota, embaralhando figuras, desfigurando unhas, bordejando insetos, aguçando vermes, atraindo animais que arrancam pontas, que rasgam vísceras e descarnam entranhas. Cheiros iniciaram no segundo dia, primeiro insuportavelmente úmido, depois mais seco e áspero, esvaziando sua emanação em dias de isolada deterioração. Um dia a vida lhe desenhara belo corpo, arredondadas carnes em belo quadril, fina cintura, em movimentos de cinto sincopados, em que cavalgava, não andava. Potranca de bela crina, incríveis dentes, cavalgava pelas ruas, em largos passos, esguias pernas, saltos altos, curtíssimas saias, e pertencia a todos, exclusivamente a todos, em lascivos olhares e convites e deslizes pelos carros e hotéis de quinta, esquinas escuras, becos vazios e bocas sempre cheias, de dedos, línguas, pêlos, peles e músculos... O sorriso, agora escaveirado, não se esconde por grossos lábios. Sorriso vazio, carneado, duro em pose de flash de xis, sorriso de giz, sem queixo, sem queixa, sem sorriso de gueixa e deixa, e me deixa, que não me mate agora e, suplico ir-me embora , que sou só uma menina, me nina, me nina que o quente deste sangue que esvazia, que me enche a mente, está resfriando aceleradamente, escorrendo em meu peito, enchendo meu leito verde, elevando minh´alma, esticando minha palma, que já não preciso gladiar contra isso e me entrego ao seu mesmo futuro destino... Em vala incomum..
(... Publicado na revista lasanha...)
Escrito por MIM às 11h14
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Aquecimento
Agora que está chegando a hora do fim-do-mundo, em que a água e o sol serão demais, que afoga, um pouco, esse fogo de sim nunca mais... brincamos de Nostradamus prevendo um futuro pequeno... bem pequeno... como um lapso, uma fagulha de vida, que não vinga após os novos tempos... o que deixaremos pra trás? Em que nave fugiremos, em que planeta teremos uma casinha na colina? E você, meu amigo, só você poderá criar sua indústria, pois ela não afeta a camada de ozônio, porque poemas não criam poluição e o nosso céu será sempre azul, seu azul profundo...
(... ao amigo arruda)
Escrito por MIM às 11h10
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Samba triste
Esta folia que expele por poro veneno nacional,
Escorre por seu corpo o mau voto,
Escarra na cara do povo e esconde atrás de máscara
A vergonha, o desprezo, a falta do emprego,
Dispara a bala perdida, arrasta a infância prendida
No sinto de insegurança,
Por treze quarteirões.
Vai, sente a pena de sua fantasia!
Coça a sua narina, caçoa desta latrina,
Agita a avenida sangrando
Por treze quarteirões.
O Brasil desfila a guerrilha urbana,
A política tripudia a miséria insana,
desmazela a coisa séria,
Faz tudo virar circo e espera...
Vai, faz-de-conta que me importo!
Importo tecnologia, exporto sua alegria,
Roubo sua riqueza, troco por bugiganga,
Esconde a tristeza que pinga, debaixo da tanga
Enquanto samba
Nesta quarta-cinza...
Escrito por MIM às 20h23
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Depois...
...e se virássemos semente e nas entranhas do solo, sozinhos, dormíssemos eternamente
um eterno curtinho, um lapso de tempo, para numa tarde de verão, brotar do chão calmamente, depois do furacão...
Depois do fim do mundo, ressurreição...
Há sete dedos de altura, à sete palmos do chão, em sete dias, sete vezes morreria e qual Fênix arrependida brotaria novamente, sete rosas abririam sucessivamente...
da minha boca cuspiria sete pequenas sementes...
Escrito por MIM às 18h21
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O texto que vem a seguir faz parte do romance que não possui título e está sendo confeccionado dentro do meu PC.
Na verdade o livro foi escrito em dezoito dias, porém, os personagens inquietos do meu romance, não ficaram satisfeitos com o seu final e protestaram.
Me visitaram várias vezes e puxaram meus pés em noites de verão, assoprando friamente meus ouvidos, decidiram não me deixar em paz...
Por isso, depois de muita briga resolvi voltar ao PC e recortar os trechos insatisfatórios...
Este trecho foi censurado e totalmente modificado, aqui segue uma das partes proibidas do livro que publicarei aos poucos conforme for alterando o texto e mudando a história... Boa leitura...
Escrito por MIM às 14h06
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O ROMANCE
Fora a primeira invasão e a primeira vez que vieram buscá-lo, os enfermeiros tomaram um choque ao assistir tal visão, assim como se tivessem entrado em um cano de esgoto, a cena toda beirava ao caos, além de um cheiro insuportável, o estado em que se encontrava o interior do apartamento era digno de pesadelos para quem assistira o louco deploravelmente abandonado pela dignidade humana, barbudo, cabelos desgrenhados, olhar perdido e com o corpo coberto de chagas.
E tudo começou meses antes, quando o zelador trazia seu prato de cada dia, para saciar sua fome pontualmente meio-dia, depois de seu almoço, como qualquer louco faria, os restos deixava sobre a mesa, que após algumas crises, que somente o louco, se pudesse, narraria, espalhavam-se também pelo chão.
Após alguns meses de acúmulo de restos, o cheiro de azedo chamou o bando que percorria as ruas do bairro do centro velho, esta invasão criou buracos nas paredes e a ferocidade de tantas garras e dentes destruiu também, o fio da geladeira antiga, que apesar de velha, ainda funcionava, provocando o estragar de coisas que estavam em seu interior.
O borbulhar desta fermentação escorreu pela cozinha, depositou-se pelas mesas, em volta da mesa da sala de jantar tomando conta de todo o apartamento.
A partir de então, o louco não mais sozinho vivia, dividia sua cama, seu banheiro, a comida do almoço e as frestas do sofá com uma multidão de seres roedores, negros, marrons e brancos, sempre em movimento, rastejando...
À noite seus grunhidos já estavam a tirar-lhe o sono, e ao abrir os olhos encarava dezenas de pares de pequenos olhinhos à sua espreita, em cima do guarda-roupa, na penteadeira, refletindo no espelho, ao lado no criado mudo, roçando seus brancos cabelos com suas caudas nojentas, em seu travesseiro, entre as cobertas mijadas, que aos poucos carcomiam suas costas e nádegas, abrindo buracos cheios de sangue e pus...
Depois do choque dos enfermeiros, veio a revolta, quem era responsável pelo louco? Como podia um ser humano viver daquele jeito insalubre? Onde estavam os filhos desse senhor e o que ele fazia sozinho em tal estado?
No meio de tanta balbúrdia dos enfermeiros afugentando os horripilantes ratos que insistiam em correr por todos os lados, aparece na porta do apartamento um rapaz de idade ignorada, que possuía uma estrutura frágil de jovem e olhar de velho, contrapondo aos cabelos de cor também indefinida, grudados na cabeça com uma pasta que não se sabia, gordura ou gel, vestido como um velho e arcado como tal, dizia-se sobrinho do velho... Todos se entreolharam e começou uma discussão, gritos de ameaça de denúncia por maus tratos, queriam no íntimo linxá-lo...
Impedidos pelo zelador que conhecia a família em incontáveis anos, interpelou em favor do velho: - Vamos socorrer o coitado, depois tomamos providências... E isso foi feito.
Após a primeira invasão vieram outras sucessivas e conseqüentes da primeira...
Escrito por MIM às 14h00
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neurotóxicos
às vezes preciso
ir embora de mim
deixar-me ficar
sem dor
sem pensar
sem pesar
sem pesar
sem me sentir
voar
sem sentir
planar
vagar com vagar
divagar devagar
voltar quem sabe
quando a dor acabar
Por Celina Portocarrero - Neurotóxicos
Peço desculpas aos meus amigos visitantes, estou escrevendo um romance que está consumindo todos os meus dias, prometo que publicarei alguns trechos do livro em minha página para não abandoná-los e aproveito para colocar um pouquinho de doce na boca de todos, quem sabe quando publicá-lo eu venda uns dois ou três???
Aguardem...
Escrito por MIM às 11h51
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Segrêdo
E eu para esconder o riso deste seu gozo môco, escondi-me entre meus dias evitando te encarar, baixando os olhos, mordendo os lábios, trocando de idéia inesperadamente, aumentando a voz para encerrar certos assuntos...
Pálida, não entendi o exagero de suas reações, em franco discurso, encaixando o diafragma e empostando a voz mais que uma vez, como se toda a verdade do mundo contivesse em poucas palavras e que viessem exclusivamente de você, burlescamente hoje se cala diante de minha comedida presença...
Lógico que fingi satisfação, certa de que você e eu iríamos nos perdoar e que você nem desconfiaria absorto entre seus próprios gemidos de isolado prazer.
Mas a verdade perneia sem convite em nossas lembranças, desmoronando sua estima, deixando-nos cúmplices, ficando entre nós este clima espesso que se tornou matéria que levanta os muros que nos desagrega sorrateiramente...
Escrito por MIM às 15h34
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Dia Internacional da Mulher
Pryscila é uma mulher talentosíssima e além de tudo, linda!! Tem um blog de humor precioso!! Visito-a com frequência e as vezes faço alguns comentários, como todo mundo, e não é que um deles virou tirinha???
E pra melhorar está em exposição no Avenida Club na rua Pedroso de Moraes.
Confiram seu link ao lado: Pryscila Artista

Tirinha da Amely em exposição no Terça Insana. Agradeço à Madame Mim por esta tirinha!
Agradeço a Pryscila por esta honra...
Escrito por MIM às 11h47
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MARILIA
Marília não quer ser modelo, atriz ou dançarina. Nunca quis ser bailarina. Tem uma beleza doente, destas que dói na gente como doce de leite em dente cariado.
Marília não gosta de feriado, só de dia de finados, ela combina vermelho e preto em seus bordados e levanta a saia pros criados.
Marília freqüenta velórios sozinha, sem companhia e observa atentamente dentro do caixão a posição da mão, o roxo dos lábios e das unhas, a decoração, gosta de tocar no rosto gelado, sentir os odores de putrefação misturados ao perfume de flores e velas.
Marília beija a boca do defunto, grita, diz querer ir junto, mas nunca assiste ao enterro, sai pelo cemitério em passeio, visita lápides, faz obra de caridade, rouba vasos de um morto e coloca em mármore de outro. No final do dia, Marília cola em seu diário anúncios de obituário e ao seu lado a foto do sujeito que subtraiu do seu jardim de cruzes. Antes de dormir e apagar as luzes, cruza os dedos e pede pra ter pesadelos...
Hoje é dia de festa, Marília faz dezoito anos, sua mãe já fez os seus planos: - decorou a casa e chamou a família e amigos, Marília tomou providências: - enterrou no jardim todos os seus vestidos coloridos...
Ela tem um jeito esquisito, diz falar com o espírito de um menino, que ao contrário de outras fotos, deixa-a em cima de sua penteadeira, esta noite disse-lhe dançar com ele a noite inteira e promete-lhe sua mão.
Desce pra sua festa, senta-se frente à porta e espera seu pretendente. A noite passa de mansinho, seus olhos não desprendem da entrada, por onde saem também seus convidados, sua mãe se retira cansada, Marília fica sentada e de repente a porta escancara lentamente, buscando a sua mão delicada, ele puxa-a da cadeira e saem pela porta deixando para trás o corpo da menina morta...
Escrito por MIM às 12h51
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